Sei que estou devendo alguns textos, já comentei com vários alunos sobre desejos que tenho de comentar escritos seus... e pretendo cumprir com essas promessas em 2011 (isso ficou parecendo promessa de fim de ano).
Entretanto, agora, vim aqui apenas para postar dois poemas meus. Primeiro, porque algumas pessoas me perguntaram se eu não escrevia também, se não iria postar algo feito por mim. E, segundo, porque como já estão prontos, é rapidinho de postar e eu ando meio sem tempo agora - preparando tudo para viajar! hehehe!
Antes de mais nada, preciso apenas deixar muito claro que esses poemas são antigos, são textos que escrevi há quase dez anos. Fazem parte das minhas primeiras tentativas literárias, mas eu gosto bastante deles. Daí, resolvi compartilhá-los:
Sereia-Sol
Você conhece a história da sereia Janaína? É a história da sereia Inconformada com sua sina. Não queria mais p’ra ela Aquela vida de menina, Que deseja, pede e clama Pelo que não pode ter. Confinada aos sete mares Presa à cauda, sua dor Ela chorava, pranteava Implorando ao Criador Que lhe desse, por um dia, Um minuto, um momento, Vida nova, mesmo sendo Pouco tempo a conceder. Foi ouvida sua história E atendidas suas preces A sereia Janaína Era agora uma terrestre. Com um belo par de pernas Pôde então sentir a terra, Deslizar por entre as matas E correr junto do vento! Foi então sentindo a brisa Escorrendo por seu rosto Que ela percebeu quão rápido Era o vento mais que ela! Fascinada, Janaína, Quis então ser como ele. Com tamanha rapidez E incrível fluidez, Poderia ver o mundo Em apenas um segundo! Janaína fez-se vento E se pôs logo a voar! Junto ao céu e as brancas nuvens, Viu o brilho do luar E estrelas muito belas Que a fizeram desejar Entrar para o grupo delas, Ter o dom de cintilar! Lá do alto, lá brilhante, Poderia ver bastante! E assim, ficou estrela Radiante, luminosa, Realmente esplendorosa, Era o que queria ser! Mas foi quando percebeu |
Que ao seu redor havia Mais magia, e o que ela tinha Não era o mesmo tal poder! Asteróides e planetas, Meteoros e cometas, Eram tantas coisas plenas Que de tudo ela quis ser. Mas foi quando viu o Sol Majestoso, grandioso, Que a sereia descobriu Como deveria viver. Astro-Rei incorporou E portanto, Sol virou, Sereia-Sol, feliz ficou; Ou, então, assim achou. Quando viu porém a Terra, Assim de longe, assim tão bela Desejou voltar a ela, E ao mar, que era o seu lar. Janaína percebia Que de tanto querer ser Já não se satisfazia E nem conseguia viver. Foi pensando dessa forma Que a sereia decidiu Voltar para suas águas para aquele azul profundo, Já que agora percebia, Que deixá-lo não podia Afinal, aquele mundo Era o mais belo de tudo! Janaína então voltou Novamente sereia, Novamente com cauda. Entretanto, não ligava, Pois enfim compreendera Quão afortunada era. Tinha a cauda de um cometa Que a fazia poder voar Tão mais rápida que o vento, Pois p'ra ela, em pensamento, O seu céu era o seu mar. E o seu mar tinha estrelas Estrelas-do-mar, é bem verdade Mas quem se importa, que bobagem Ao menos, ela as tinha lá. E dessa forma, Janaína, Tão contente em sua vida Irradiando alegria Ficou agora parecida Com um lindo Sol no mar! Vontade Às vezes, eu sinto vontade Uma vontade imensa, gigantesca Que parece me abocanhar e engolir. Uma vontade tão inexplicável Quanto incompreensível. É uma verdade Apenas isso. E essa vontade Tão sem nexo, tão imprópria Queima dentro de mim Como se dissesse: “Eu estou aqui E não adianta Tentar fugir de mim Fingir que não me sente Ou pensar que não existo”. A vontade é forte E sei bem quem vencerá Essa batalha individual. Já não há mais forças para lutar E o que havia resistido Foi seduzido por ela. Ela: A vontade que me divide Parte-me ao meio Em razão e emoção. Mas a razão já se perdeu A vontade vitoriosa É aliada à emoção. Não luto mais; entrego-me E que essa vontade Tenha piedade de mim. Aí estão. Dois poemas meus, dois pedacinhos de mim. Um comentário que julgo interessante... o poema "Sereia-Sol" foi escrito muito antes de eu tomar conhecimento daquele poema chamado "Círculo Vicioso", do Machado de Assis. Os dois textos têm ideias semelhantes e eu nem preciso dizer o quanto me senti poderosa ao ver que tinha produzido um poema que partia de uma mesma premissa do meu autor preferido! Já no poema "Vontade", algo semelhante aconteceu. Também o escrevi antes de conhecer a fundo Clarice Lispector, antes de me apaixonar perdidamente pela escritora que ela era. Qual não foi minha agradável surpresa ao descobrir que essa autora, que logo tornou-se minha predileta, discorria tanto sobre algo que, para mim, sempre fez parte da minha essência? Razão e Emoção, a razão perdendo, a emoção triunfando... "Pensar é um ato. Sentir é um fato." Viram só? Desde antes de conhecê-los, eu estava disposta a amá-los. Machado e Clarice. Definitivamente, sempre fizeram parte de mim. Bom, é isso aí! Desculpem a postagem mais simples, foi só para fechar o ano mesmo! =) Beijos para todos e um excelente fim de ano! Até 2011, pessoas! Camilla. |
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ResponderExcluirAlém de ótima professora, uma ótima escritora :D comecei a comentar o poema sereia-sol aqui, mas começou a ficar muito grande, fiquei inibido, em suma: ele é instigante. Parabéns Camila, sinto saudade da Literatura, e é claro de você, estou um pouco Janaína agora (kkkk) a universidade foi tão desejada, e agora alcançada é que significo meu estado anterior, e infelizmente, ao contrário do poema, bem difícil retornar (a eterna nostalgia). Espero que esteja tudo dando certo na sua vida :D Feliz ano novo (não é que o poema cai bem para essa data?!). Felicidades! Guilherme Henderson (sênior).
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