Vou abrir aqui uma exceção e postar o texto de um professor, e não dos meus alunos. Meu colega e amigo, professor Rafael Riemma, é uma verdadeira autoridade no assunto e um apaixonado pelo estudo da Língua Portuguesa. Eu me senti lisonjeada quando soube que ele deu uma passadinha por esse blog e demonstrou interesse em deixar também as suas palavras. Afinal, não conheço tantas pessoas que, como ele, mostram-se tão interessadas em ajudar nossos alunos a criar gosto pela leitura (e esse meu caríssimo professor, inclusive, teve a coragem de escrever livros didáticos para alcançar de mais formas esses meninos).
Ele manda muito bem na área de interpretação de texto. Isso porque, como professor, ele percebe o quanto falta, em nossos alunos, uma postura correta ao se ler e compreender um texto. Muitos de nossos alunos não percebem o quanto é importante fazer uma leitura adequada de um texto. Não foram capazes ainda de perceber que essa leitura adequada é essencial para prepará-los para uma outra leitura, importantíssima para a vida deles: a leitura do mundo que os envolve. A pessoa que domina a arte de ler e compreender é a pessoa que domina a arte de saber falar, de saber dizer, de se fazer entender. Há bastantes pessoas que ainda não entenderam que, no mundo em que vivemos atualmente, mais importante que ser detentor de conhecimento, é saber utilizá-lo em seu favor. Como fazer isso apropriadamente se o indivíduo possui conhecimento, mas não sabe como passá-lo, como usá-lo de forma a beneficiar a si mesmo ou ao outro?
A ferramenta crucial para se obter sucesso nessa empreitada é o bom uso da palavra. Muitos pensam que, por serem falantes da Língua Portuguesa, sabem utilizá-la bem o suficiente. Infelizmente, não é o que ocorre. Mas não vou dizer mais; deixarei que o professor Riemma argumente a respeito desse assunto.
Ele manda muito bem na área de interpretação de texto. Isso porque, como professor, ele percebe o quanto falta, em nossos alunos, uma postura correta ao se ler e compreender um texto. Muitos de nossos alunos não percebem o quanto é importante fazer uma leitura adequada de um texto. Não foram capazes ainda de perceber que essa leitura adequada é essencial para prepará-los para uma outra leitura, importantíssima para a vida deles: a leitura do mundo que os envolve. A pessoa que domina a arte de ler e compreender é a pessoa que domina a arte de saber falar, de saber dizer, de se fazer entender. Há bastantes pessoas que ainda não entenderam que, no mundo em que vivemos atualmente, mais importante que ser detentor de conhecimento, é saber utilizá-lo em seu favor. Como fazer isso apropriadamente se o indivíduo possui conhecimento, mas não sabe como passá-lo, como usá-lo de forma a beneficiar a si mesmo ou ao outro?
A ferramenta crucial para se obter sucesso nessa empreitada é o bom uso da palavra. Muitos pensam que, por serem falantes da Língua Portuguesa, sabem utilizá-la bem o suficiente. Infelizmente, não é o que ocorre. Mas não vou dizer mais; deixarei que o professor Riemma argumente a respeito desse assunto.
Seguem, portanto, as palavras que ele me enviou para colocar aqui:
“Leitura critica é, sem dúvida, uma das habilidades se que espera de pessoas que se dispõem a ler. A percepção de cada um, as experiências de vida, a maturidade são elementos que influenciam diretamente na capacidade de leitura crítica que se desenvolve. Aprender a ler criticamente envolve desenvolver a capacidade de entender com clareza as ideias do autor. Envolve também passar a avaliar e questionar seus argumentos, bem como, as evidências utilizadas para fundamentá-los, evidências essas gramaticais ou contextuais. Finalmente, envolve a capacidade de formar e justificar as próprias opiniões como leitor. Para ler dessa maneira, é preciso que sejam desenvolvidas habilidades que normalmente não são necessárias quando obtemos informação de forma passiva. É preciso interagir com o texto, percebendo o valor de cada vocábulo selecionado e o poder sugestivo que ele adquire no contexto do texto.
Para Sara Oliveira, as palavras fazem parte do nosso dia-a-dia. Não poderia ser diferente, já que com elas lidamos a todo instante e por meio delas manifestamos nossa identidade, nossos valores e nossas crenças. Nas palavras de Cecília Meirelles, em seu Cancioneiro da Inconfidência, percebemos o valor da palavra:
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
(…)
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam…
(…)
_ e estás no bico das penas,
_ e estais na tinta que se molha,
_ e estais nas mãos dos juízes,
_ e sois o ferro que arrocha,
(…)
O compositor Belchior, em uma de suas canções, Apenas um rapaz latino-americano, já deixou expresso seu sentimento em relação ao poder que as palavras assumem em diferentes contextos:
...Sons, palavras,
São navalhas.
E eu não posso cantar como convém,
Sem querer ferir ninguém.
As palavras conjugadas ou não a sons ou imagens, parecem adquirir vida própria e, dessa maneira, acabam, muitas vezes, nos surpreendendo com os valores e significações que assumem e expressam: insinuam-se, exibem-se e nos envolvem; provocam associações que, por vezes, transcendem a realidade lógica e nos desafiam: “decifra-me se for capaz”, será que me empolguei?! =) Muitos casos nos deixam atônitos, confusos ou maravilhados...
Nossa relação com as palavras vai do amor ao ódio. Com elas afagamos e somos afagados. Injuriamos, defendemos, perdoamos (cuidado com a regência deste verbo!). Elas nos remetem a sentimentos, sensações, desejos. E não há quem não seja por elas afetado. Por isso é importante desenvolvermos PENSAMENTO E LEITURA críticos. Um cuidado muito importante é não deixar que nossas emoções e experiências forcem significações absurdas dentro do texto. Pensar criticamente envolve todas as formas de comunicação: falar, ouvir, ler e escrever. Diferentes teóricos categorizam os elementos do pensamento crítico de diversas maneiras, mas a maioria inclui os seguintes aspectos:
· Observações: de uma série de observações, estabelecemos fatos.
· Fatos: dos fatos (ou da ausência deles), fazemos inferências.
· Inferências: ao testar a validade de nossas inferências, fazemos suposições.
· Suposições: de nossas suposições, formamos nossa opinião.
· Opiniões: usando nossas opiniões e os princípios da lógica, desenvolvemos argumentos.
· Argumentos: quando queremos contestar os argumentos de outras pessoas, empregamos a análise critica.
A postura crítica envolve pesar motivos, analisar tendências, perceber as possíveis leituras implícitas, deliberar em impasses, rejeitar o óbvio, explicar o que parece inexplicável, acreditar mesmo quando não se vê, desenvolver raciocínios além do lugar comum, descobrir o todo das meias-verdades, meias-palavras, outras verdades. Ter pensamento crítico, portanto, significa ser inquisitivo, estar bem informado, aberto a opiniões diversas, ser flexível, prudente ao fazer julgamentos, honesto ao enfrentar parcialidades, seletivo quanto a critérios, focado e mentalmente organizado, persistente na busca de soluções dentro do permitido pelas circunstâncias. Significa ainda saber perceber tendenciosidades e preconceitos, integrar informações, gerar perguntas e alcançar conclusões sensatas – cuidado!, queridos – repito, SENSATAS, isto é, significa exercitar parâmetros que conduzam a posturas democráticas e, tanto quanto possíveis, justas, em nossa vida diária, em nosso meio político e social.
A minha intenção aqui é tentar mostras a todos que trabalhar algumas estratégias que nos ajudem a reconhecer diferenças entre fatos e opiniões naquilo que lemos, perceber argumentos objetivos e subjetivos, separar inferências de evidências, localizar e avaliar o peso de atos, palavras e omissões, avaliar relevância e adequação do que estamos lendo são características muito importantes. Na verdade, é o que nós, professores, objetivamos alcançar com vocês, nossos alunos, seja na escola fundamental e média, seja no curso pré-vestibular, no curso para concurso, seja na universidade. Sem dúvida, pensar de maneira crítica envolve ler (textos e o mundo) de modo crítico.
Desejo que, segundo um provérbio oriental, vocês estejam aptos a “olhar, ver o que se olha, entender o que se vê, aprender o que se entende e, finalmente, agir com relação ao que aprende”.
Um forte abraço!
Do amigo e professor,
Rafael Riemma.”
Obrigada pelo super apoio, Riemma! Dá gosto saber que, ao meu lado, tenho um colega profissional que compartilha da minha visão. Afinal, o que queremos não é pouca coisa... fazer esses meninos terem vontade, gosto, prazer de ler? Como somos audaciosos!
E, quando se luta sozinho, a batalha é sempre mais dura e árdua. Por isso, como é bom saber que tenho um grande parceiro nessa empreitada ambiciosa!
Bom, para quem quiser encontrar o professor Riemma, aqui vai:
- Twitter: @RafaelRiemma
- Orkut: procurem por Rafael Riemma
Até mais, pessoas! E espero não demorar tanto para as próximas postagens. Mas, caso isso ocorra, não se preocupem. Eu sumo, mas volto. Sempre. =D
'' Uma das habilidades se que espera''. O que isso significa???
ResponderExcluirSe a leitura crítica é subjetiva, ou seja, depende de aspectos biográficos para que se desenvolva e alcance um status de ''maturidade''. Nesse caso, como é possível desenvolver uma área de conhecimento que possua pretensões de validade que possam ser resgatáveis discursivamente, se não há um critério bem estabelecido daquilo que é crítico e daquilo que foge a esse escopo??